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Yan Borges, Advogado
Yan Borges
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Igor Rodrigues, Bacharel em Direito
Igor Rodrigues
Comentário · há 7 anos
Ótimo artigo!

A meu ver, nós temos três problemas que acabam nos levando ao presidencialismo de coalizão.

O primeiro é cultural, de aceitar que a política é feita para beneficiar os próprios políticos ou os grupos deles. Então, quando se elege, a maioria pensa em como irá tirar proveito do estado, garantindo novas eleições, o domínio do grupo político e, como consequência, o benefício financeiro dos apadrinhados. E isto leva ao problema seguinte...

... que é o tamanho da máquina estatal. Ora, tem muito lugar para aparelhar com nomes indicados na política, e que são estratégicos para determinados setores. Ou seja, a própria máquina estatal cria o incentivo da negociata. Reduzir a máquina seria um revés ao presidencialismo de coalizão.

Por último, a forma como estabelecemos constitucionalmente nosso presidencialismo. Embora se ensine nas faculdades de direito sobre freios e contrapesos, da harmonia dos poderes e do papel de cada um deles, o fato é que o legislativo (e também o judiciário) possuem mais poder sobre o executivo que o contrário. A ingerência é tanta que questões típicas do executivo, como diretrizes orçamentárias e até atos de administração, podem — e são — decididas em sede do legislativo. O legislativo pode, por exemplo, não aprovar crédito suplementar e impedir que o presidente tenha verba para cobrir as despesas obrigatórias, imputando forçadamente um crime de responsabilidade deste. Do contrário, o poder de barganha (ou coação) do presidente é mínimo, podendo, no máximo, não conceder pedidos de empréstimos aos estados e municípios.

São questões que tem que ser reformadas no Brasil.
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